A finalidade deste Blog é divulgar as Vozes do Céu através das Mensagens dos Sagrados Corações de Jesus,Maria,José e do Divino Espírito Santo,dos Anjos e dos Santos,transmitidas ao Vidente Marcos Tadeu,nas Aparições de Jacareí-SP/Brasil. São as mais intensas,extraordinárias e últimas Mensagens dadas ao mundo para que se converta e tenha paz.Nestas Santas Aparições São José deseja que nos Consagremos a Ele ,que o invoquemos como Amantíssimo Coração de São José e também como
CORAÇÃO PATERNAL DE SÃO JOSÉ,para que Ele possa nos conduzir pelo caminho da Santidade e nos leve ao verdadeiro Amor a Jesus e Maria.

terça-feira, 24 de março de 2015

JACAREÍ, 22.03.2015 -MENSAGEM DE NOSSA SENHORA - 390ª AULA DA ESCOLA DE SANTIDADE E AMOR DE NOSSA SENHORA - TRANSMISSÃO DAS APARIÇÕES DIÁRIAS AO VIVO VIA INTERNET NA WEBTV MUNDIAL: WWW.APPARITIONSTV.COM


ASSISTA E DIVULGUE O VÍDEO DESTE CENÁCULO E OS ANTERIORES ACESSANDO:






JACAREÍ, 22 DE MARÇO DE 2015
390ª AULA DA ESCOLA DE SANTIDADE E AMOR DE NOSSA SENHORA
TRANSMISSÃO DAS APARIÇÕES DIÁRIAS AO VIVO VIA INTERNET NA WEB MUNDIAL: WWW.APPARITIONSTV.COM
MENSAGEM DE NOSSA SENHORA


(Maria Santíssima) “Meus amados filhos, hoje Eu venho novamente do Céu para dizer a vocês: Rezem com o coração!
Eu estou aqui há 24 anos, ensinando a vocês a oração viva que brota do fundo do coração e que é a oração que vos une com Deus, que vos permite sentir a presença de Deus e também experimentar as grandes Graças que Deus só concede àqueles que rezam.
Rezem com o coração e vocês sentirão a Deus, sentirão o Seu Amor, sentirão a Sua presença e experimentarão as grandes Graças que Ele quer dar a vocês através de Mim. Somente na oração com o coração, vocês sentirão a Minha presença, sentirão o Meu carinho, a Minha ternura e também conseguirão as luzes do Espírito Santo para compreenderem o que Eu quero de vocês e aquilo que Deus deseja de vocês.
Esse conhecimento do que Deus quer de vocês e do que Eu quero de vocês, é pessoal. Só Eu posso revelar a vocês, ninguém mais. Por isso, procurem este conhecimento na oração, de modo que vocês possam entender o que Eu quero que vocês façam, dentro dos Planos que Eu já revelei Aqui e nas Minhas Aparições desde Paris, La Salette, Lourdes, Fátima, Pellevoisin até chegar Aqui em Jacareí.
Eu desejo que vocês Meus filhos compreendam que os tempos são maus e que aqueles que não rezarem muito agora e com o coração correm o risco serem contagiados pela doença da apostasia, que agora tomou conta do mundo e que já levou tantas almas à morte espiritual.
Sem a oração com o coração, que é a vacina contra este contágio dessa doença fatal, vocês não terão força, nem proteção para resistir. Por isso filhinhos, rezem muito e com o coração de modo que alma de vocês seja forte e a apostasia não possa entrar no coração de vocês por alguma falha na oração.
Por isso, rezem, rezem, por três horas por dia, como desde o princípio de Minhas Aparições Aqui Eu lhes pedi. Os tempos são maus. Por isso devem combater com os fortes remédios que Eu lhes dei Aqui: o Rosário, o Terço das Lágrimas, a Hora da Paz, a Trezena, a Setena, a Hora dos Santos e todas as Orações que Eu lhes pedi.
Só assim, as almas de vocês permanecerão fortes, robustas na fé, vigorosas no amor, na esperança, nas virtudes e imunes a este contágio geral da apostasia que já terminou de dominar tudo.
Eu estou muito feliz com tudo o que vocês fizeram aqui na Minha Capela por Mim. Estou muito feliz e orgulhosa, em primeiro lugar pelo Meu filhinho Marcos, o mais esforçado e obediente de todos, o filho mais amado por Mim e o que mais Me ama. Depois, pelos Meus Escravos de Amor que com ele o ajudaram.
E por fim a vocês os leigos, os Meus filhos peregrinos que com tanto amor ajudam a Minha casa dia após dia a se tornar aquilo mesmo que Eu desejo: um lugar invencível de fé, de amor a Mim, de amor a Deus, de esperança, de oração, de devoção, de verdadeira consagração ao Meu Coração Imaculado. E um lugar onde os Meus filhos podem Me encontrar verdadeiramente viva, podem Me sentir a todo instante do dia.
Aqueles que Me ajudam a transformar este lugar num refúgio que dá força aos Meus filhos, que estão cansados na luta contra o mal, num lugar que dá esperança para quem a perdeu. E mais do que tudo, que converte e dá a fé a todos aqueles que Aqui chegam.
Eu estou particularmente agradecida e orgulhosa por todos vocês Meus filhos que ornaram a Minha Capela com tanto amor, com tanto carinho para Mim, Eu vos abençoo abundantemente agora. E digo: Vigiem e rezem porque os tempos são maus e Satanás está rondando vocês 24hs por dia, procurando a ocasião oportuna para derrubar vocês no pecado. Não permitam que ele faça isto, vigiem e rezem, permaneçam continuamente com o coração de vocês em Deus, em Mim e nos Santos. Pensando continuamente em Nós, meditando em Nossas Mensagens, meditando nos exemplos que Nós deixamos para vocês nas Nossas vidas e sempre que puderem permaneçam sempre em oração, porque somente ela pode aniquilar e vencer Satanás.
Em breve vocês verão uma grande luz, um grande clarão e nesse clarão todos verão a verdade, todos verão que Deus Existe, todos saberão que Deus é a Verdade, que Deus É. Mas muitos infelizmente mesmo vendo a verdade se voltarão contra o Senhor.
Então, virá o grande Castigo, para limpar e purificar a Terra dos pecadores maus. Somente aqueles que fizerem penitência e se convertem sinceramente chorando os seus pecados e mudando de vida, abraçando a Verdade que virem. Somente esses serão perdoados e salvos.
Entendam Meus filhos, que se vocês não lavarem os seus pecados no sacrifício e na penitência, terão de lavá-los no próprio sangue de vocês no futuro, porque o grande Castigo será terrível Meus filhos. Terrível para aqueles que agora não querem aproveitar, não querem receber todas essas grandes graças que Eu estou Aqui dando nas Minhas Aparições para que se convertam.
Será terrível para aqueles que não quiserem aproveitar e receber todas essas Graças, todas essas chances e oportunidades, que Eu estou dando para a conversão! Lavem os pecados de vocês agora na oração, no sacrifício e na penitência, para que não tenham de lavá-los no futuro, no sangue de vocês mesmos.
Eu não quero que vocês sofram no futuro, por isso lhes digo: Convertam-se agora que é tempo de conversão! Sou a Mãe Dolorosa de vocês e sofro pelos sofrimentos que estão vindo para vocês. Convertam-se! Porque em breve a Terra inteira tremerá quando soar a hora da Justiça de Deus.
Rezem o Rosário todos os dias, aqueles que rezarem o Meu Rosário todos os dias e levarem a Minha Medalha da Paz com amor no pescoço serão salvos por Mim na hora do grande Castigo.
Levem ao conhecimento de todos os Meus filhos estes tesouros que vocês tem Aqui, as Minhas Aparições, as Minhas Mensagens, a Vida dos Santos, todos contidos nos filmes que o Meu filho Marcos faz para vocês. E estes benditos Rosários que podem salvar nações inteiras se eles forem rezados com amor e perseverança.
Levem a todos os Meus filhos a Hora dos Anjos e dos Santos, porque os Santos e os Anjos de Deus estão ansiosos para ajuda-los, protege-los e enche-los de graças. Mas não podem, porque vocês não rezam a Eles.
Rezem estas Horas Santas e as levem a todos, para que assim os Anjos e os Santos derramem as bênçãos de Deus e do Meu Coração sobre todos vocês e o Meu Plano atinja a Sua completa realização com o Triunfo do Meu Imaculado Coração.
A todos Eu abençoo com Amor de Lourdes, de La Salette e de Jacareí.”





Participe das Aparições e orações do Santuário. Informe-se pelo TEL: (0XX12) 9 9701-2427
TRANSMISSÃO AO VIVO DOS CENÁCULOS TODOS OS DIAS.
SÁBADOS ÀS 15:30HS – DOMINGOS ÀS 10HS.

SOBRE O NOME DE JESUS - Por Santo Afonso Maria de Ligório



SOBRE O NOME DE JESUS
 
Por Santo Afonso Maria de Ligório


O nome de Jesus é um nome divino, anunciado a Maria da parte de Deus por S. Gabriel: Dar-lhe-eis, disse o anjo, o nome de Jesus. Também está escrito que é um nome superior a todos os nomes, e o único em que podemos achar a salvação. 

Esse grande nome é, pelo Espírito Santo, comparado ao óleo; Vosso nome é um óleo derramado. A razão disso é que, segundo S. Bernardo, como o óleo é uma luz, um alimento, um remédio, assim o nome de Jesus é uma luz para o nosso espírito, um alimento para o nosso coração e um remédio para nossa alma. 

É uma luz para o nosso espírito. Por esse nome o mundo passou das trevas da idolatria à luz da fé. Nós que nascemos em países cujos habitantes eram pagãos antes da vinda do Messias, se-lo-íamos como eles, se Jesus não nos viesse iluminar. Quantas graças não devemos pois render a Jesus Cristo pelo dom da fé! Que seria de nós, se tivéssemos nascido na Ásia, na África ou em algum país, onde reina a heresia, o cisma? Quem não crer, será condenado. Estaríamos, pois, provavelmente perdidos.
 
Ademais, o nome de Jesus é um alimento para o nosso coração. De fato, esse nome adorável recorda-nos o que nosso divino Redentor fez e sofreu para salvar-nos, e por isso nos consola nas tribulações, nos dá a força de caminhar na via da salvação, reanima nossa confiança nas dificuldades, e informa-nos de amor a Deus.
 
Enfim, esse grande nome é ainda um remédio para nossa alma; fortifica-nos contra as tentações e os ataques de nossos inimigos. Os poderes infernais tremem e fogem, quando se invoca esse santo nome; é a doutrina do Apóstolo: Ao nome de Jesus dobra-se todo o joelho ao céu, na terra e nos infernos. Quem se vir tentado a invocar a Jesus, não cairá; quem o invocar jamais caíra, será salvo: Louvarei e invocarei o Senhor, cantava o salmista, e estarei livre dos meus adversários. Quem jamais se perdeu depois de haver invocado o nome de Jesus nas tentações? Perde-se quem o não chama em seu auxílio, que cessa, de o fazer nas tentações mais persistentes.

Afetos e Súplicas. 
 
Ó meu Jesus, se vos tivesse eu sempre invocado, não teria sido jamais vencido pelo demônio. tive a infelicidade de perder a vossa graça porque, nas tentações deixei de pedir o vosso auxílio. Agora ponho toda a minha confiança no vosso santo nome: Tudo posso naquele que me conforta. Gravai, meu Salvador, gravai em meu coração o vosso poderoso nome de Jesus, a fim de que, tendo-o sempre no coração pelo amor, eu o tenha também sempre nos lábios e o invoque nos assaltos com que o inferno me ameaça para tornar-me novamente seu escravo e separar-me de vós. No vosso nome acharei todos os bens: se eu estiver aflito, me consolará recordando-me que muito mais vos afligistes por meu amor; se os meus pecados abalarem a minha confiança, me animará lembrando-me que viestes ao mundo para salvar os pecadores; se for tentado, me fortalecerá recordando-me que, se o inferno é poderoso para vencer-me, vós o sois mais para socorrer-me; se enfim me sentir frio no vosso amor, despertará o meu fervor, lembrando-me o quanto me amais. Amo-vos, meu Jesus! Vós sois, e espero, sereis sempre o meu único amor. Dou-vos todo o meu coração, ó meu Jesus, quero amar unicamente a vós, e estou resolvido a invocar-vos o mais que me seja possível. Quero morrer tendo nos lábios o vosso santo nome, nome de esperança, nome de salvação, nome de amor!

Ó Maria, se me amais, espero de vós uma graça, a de invocar sempre o vosso santo nome com o de vosso divino Filho. Fazei que esses doces nomes sejam a respiração de minha alma, e que o repita sempre durante a vida, para redizê-lo ainda no último suspiro: Jesus e Maria, socorrei-me; Jesus e Maria, eu vos amo: Jesus e Maria, em vossas mãos entrego a minha alma.

Vida de tribulações que Jesus Cristo começou a levar desde o seu nascimento - Santo Afonso Maria de Ligório




Defecit in dolore vita mea, et anni mei in gemitibus — “A minha vida tem desfalecido com a dor, e os meus anos com os gemidos” (Ps. 30, 11).

Sumário. A vida de Jesus Cristo foi um martírio contínuo, e mesmo um duplo martírio, porque tinha continuamente diante dos olhos todas as dores que haviam de atormentá-Lo até à morte. Entre todas aquelas dores, porém, a que mais o afligiu, foi a previsão dos nossos pecados e da nossa ingratidão depois de tamanho amor da sua parte. É, pois, verdade, ó Jesus, que com os meus pecados Vos tenho causado aflição durante toda a vossa vida!

I. Jesus Cristo podia salvar-nos sem padecer nem morrer; mas não quis. A fim de nos fazer conhecer até que ponto nos amava, quis escolher uma vida toda de tribulações. Por isso, o profeta Isaías o chamou: virum dolorum — “Homem das dores”, porque a vida de Jesus Cristo devia ser uma vida toda cheia de dores. A sua Paixão não teve seu princípio no tempo da sua morte, mas sim, no começo da sua vida.

Vêde que Jesus, apenas nascido, é posto na manjedoura de uma estrebaria, onde tudo concorria para o atormentar. É atormentado na vista, que não descobre na gruta senão paredes grosseiras e negras. É atormentado no olfato, pelo fedor das imundícies dos animais que ali se acham. É atormentado no tato, pelas picadas da palha que lhe servia de cama. Pouco depois de nascido, vê-se obrigado a fugir para o Egito, onde passou vários anos da infância, na pobreza e no desprezo. Nem diferente foi a sua vida depois em Nazaré; e eis que finalmente termina a sua vida em Jerusalém, morrendo sobre uma cruz, pela veemência dos tormentos.

De sorte que a vida de Jesus foi um martírio contínuo, e mesmo um duplo martírio, por ter sempre diante dos olhos todos os sofrimentos que em seguida deviam atormentá-Lo até à morte. À soror Maria Madalena Orsini, queixando-se um dia a Jesus crucificado, disse-lhe: “Mas, Senhor, Vós passastes somente três horas pregado na cruz, ao passo que eu já estou sofrendo vários anos” Jesus, porém respondeu-lhe: “Ó ignorante! Que estás dizendo? Desde antes de nascer sofri todas as dores da minha vida e da minha morte.”

II. Não foram precisamente as dores futuras que atormentaram Jesus Cristo, visto que de livre vontade aceitara os padecimentos. O que O afligiu foi a previsão dos nossos pecados e da nossa ingratidão depois de tão grande amor seu. Santa Margarida de Cortona não se cansava de chorar as ofensas feitas a Deus, até que um dia o confessor lhe disse: “Margarida, basta; não chores mais porque Deus já te perdoou.” A Santa, porém, respondeu: “Ah, meu Pai, como poderei deixar de chorar, sabendo que os meu pecados têm afligido o meu Jesus durante sua vida toda?

É, pois, verdade, ó meu doce Amor, que eu também, pelos meus pecados, Vos tenho afligido todo o tempo da vossa vida? Dizei-me agora, ó meu Jesus, o que tenho de fazer, para me poderdes perdoar; que de boa vontade o hei de fazer. Arrependo-me, ó Bem supremo, de todas as ofensas que Vos tenho feito. Arrependo-me e amo-Vos mais do que a mim mesmo. Sinto-me com um grande desejo de Vos amar, sois Vós que me destes este desejo; dai-me portanto também forças para Vos amar muito. Justo é que Vos ame muito, eu que tantas vezes Vos tenho ofendido.

Lembrai-me sempre o amor que me tendes mostrado, a fim de que a minha alma esteja sempre abrasada em vosso amor, sempre pense em Vós, não suspire senão por Vós, e só a Vós procure agradar. Ó Deus de mor, a Vós me entrego todo, eu que em outros tempos fui escravo do inferno. Aceitai-me por piedade e prendei-me com os laços de vosso amor. Meu Jesus, para o futuro quero sempre viver amando-Vos, e amando-Vos quero morrer. — Ó Maria, Mãe e Esperança minha, ajudai-me a amar o vosso e meu Deus amado; é esta a única graça que vos peço e de vós a espero. (II 359.)


----------
(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 99 - 101.)

Amor esquecido.. - Santo Afonso Maria de Ligório





"Exulta e louva o Senhor, ó casa de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel está no meio de ti" (Is 12,6). Meu Deus, que alegria, que esperanças, que afetos não deveríamos conceber nós homens a, ao considerar que no meio de nossa pátria, em nossas igrejas, perto de nossas casas, habita e vive, no Santíssimo Sacramentado do altar, o Santo dos santos, o verdadeiro Deus, aquele cuja presença faz a felicidade dos bem-aventurados no céu, aquele que é o amor mesmo! "Este sacramento, - diz São Bernardo, - não é somente um sacramento de amor, mas é o amor mesmo"; é esse Deus que, pelo amor imenso que tem às criaturas, é chamado, e com efeito é o amor em essência: "Deus é amor" (1Jo 4, 16).

Mas ouço que vos queixais, Jesus sacramentado, que vistes à terra para ser nosso hóspede e nos cumular de bens e não fostes acolhido por nós: "eu estava entre vós e não me recebestes" (Mt 25,43).

É verdade, Senhor, tendes razão: eu mesmo sou um desses ingratos que vos hão deixado só, que não vos têm visitado. Castigai-me como quiserdes, mas não me apliqueis a pena que mereço, isto é, a de ser privado da vossa presença, pois eu quero emendar-me reparar a minha criminosa indiferença; quero para o futuro não só visitar-vos com frequência, mas também entreter-me convosco tanto quanto posa. Misericordiosíssimo Salvador, fazer que eu vos seja fiel e que com o meu exemplo excite os outros a vos fazerem companhia no Santíssimo Sacramento. Ouço o Eterno Pai que nos diz: "Eis aqui o meu Filho muito amado, em quem pus todas as minhas complacências" (Mt 17,5).

Um Deus acha em vós, ó Jesus, todas as suas complacências, e eu, ver,ezinho desprezível, não acharei a minha felicidade em estar convosco neste vale de lágrimas? Fogo consumidor, destruí em mim todo o apego às coisas criadas, porque só elas podem tornar-me infiel e afastar-me de vós. Vís i oideus se quiserdes: "Senhor, se quiserdes, podeis curar-me" (Mt 8,2).

Já me tendes feito Tantos favores, acrescentai mais este: bani do meu coração todos os afetos que não tendem para vós. Aqui me tendes, eu me entrego inteiramente a vós; o restante de minha vida, consagro-o hoje todo ao amor do Santíssimo Sacramento. E vós, Jesus sacramentado, sede o meu amor durante a vida e na hora da morte, nessa hora em que haveis de ser o meu viático e o meu guia para o reino da vossa eterna felicidade. Assim o espero, assim seja. Amém.
- Meus Jesus, quando verei a beleza da vossa face?

Santo Afonso Maria de Ligório, Visitas a Jesus Sacramentado e a Nossa Senhora

Jesus Cristo é uma Ponte - Santa Catarina de Siena


Deus Pai a Sta Catarina de Sena

Para ajudar-vos a deixar o mundo e chegar à vida eterna, foi preciso que eu reconstruísse a estrada interrompida. Com material puramente humano, era impossível fazer uma ponte de envergadura tal, que atravessasse o rio do pecado e atingisse a vida eterna. Vossa natureza humana era incapaz de satisfazer pela culpa e de cancelar a mancha do pecado de Adão, mancha que estragara a humanidade e lhe dera o mau cheiro da culpa. Ocorreu que o humano se unisse à Deidade eterna; somente assim foi possível dar satisfação por todos os homens. A natureza humana iria padecer e a divina aceitaria o sacrifício em meu Filho, sacrifício oferecido na intenção de retirar-vos da morte e restituir-vos a vida. Desse modo, o Altíssimo humilhou-se ao plano do humano e das duas naturezas construiu a ponte, desobstruindo a estrada. Para quê? A fim de que vós pudésseis ser felizes com os anjos. Todavia, de nada adiantaria terdes meu Filho como ponte, se não a atravessásseis.
Descrição da Ponte
(...) Quero descrever-te a ponte. Já disse que ela se estende do céu à terra, graças à união (hipostática) que realizei com o homem formado do limo da terra. Essa ponte é meu Filho e possui três degraus; dois deles foram construídos no madeiro da cruz e o terceiro, quando ele na amargura bebeu fel e vinagre. Em tais degraus reconhecerás três estados da alma, como abaixo explicarei. O primeiro degrau é formado pelos pés; significam o amor, pois como os pés transportam o corpo, assim o (duplo) amor faz caminhar a alma. Os pés cravados na cruz servem-te de degrau para atingir a chaga do peito, que te revela o segredo do coração. Após subir até aos pés pelo amor, o homem fixa o pensamento no coração aberto de Cristo e saboreia sua caridade inefável e consumada. Disse caridade "consumada", porque Cristo vos ama sem interesse pessoal; em nada sois de utilidade para ele, que forma uma só coisa comigo. Vendo-se amada, a pessoa se enche de caridade. Enfim, após atingir o segundo degrau, chega-se ao terceiro, que é a boca de Cristo. Nela o homem encontra a paz, depois (de vencer) a grande guerra contra as próprias culpas. No primeiro degrau o cristão se afasta da afeição terrena, despoja-se dos vícios; no segundo, adquire as virtudes; no terceiro, goza a paz. São três, portanto, os degraus da ponte: passa-se do primeiro ao segundo, para atingir o último. A ponte é alta; quando se passa por ela, a água do pecado não atinge a alma. Em Jesus não houve pecado.
Cristo atrai a si todas as coisas
Essa ponte acha-se no alto, mas não separada dos homens. Sabes quando se ergueu? No momento em que Cristo foi elevado no lenho da cruz. Então, a natureza divina continuava unida à vossa pequenez; meu Filho amalgamara-se com a natureza humana. Antes de ser erguida, ninguém passava por tal ponte. Jesus mesmo disse: "Quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas" (Jo 12,32). Julguei que não havia outra maneira de vos atrair; enviei, pois, meu Filho para ser cravado na cruz, bigorna em que seria fabricado o filho do homem, livrando-o da morte e restituindo-o à vida. Ao manifestar sua imensa caridade, meu Filho atraiu a si todas as coisas. É sempre o amor que atrai o coração humano. Dando sua vida por vós, ele revelou o amor maior (Jo 15,13). Quando não existe no homem a oposição maldosa, a força do amor atrai sempre.
Portanto, segundo quanto afirmou, meu Filho atrairia a si todas as coisas ao ser elevado na cruz. Essa verdade pode ser entendida de duas maneiras. Primeiro, no sentido explicado. Porque o coração humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma: a memória, a inteligência, a vontade. Quando são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas - corporais ou espirituais - ficam-me agradáveis, pois unem-se a mim na caridade. Foi exatamente para isso que meu Filho se elevou na cruz, trilhando os caminhos do amor cruciante. Ao dizer, "quando eu for elevado, atrairei a mim todas as coisas", ele queria significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as demais faculdades e suas ações também o serão. Em segundo lugar, há um outro significado: que todos os seres foram criados para o homem. Os demais seres devem servir ao homem, não ao contrário. Só a mim ele há de servir, com todo o afeto do seu coração. Compreendes, então? Se a humanidade for atraída, todos os demais seres a seguirão, pois para o homem foram criados.
Tal é a finalidade por que a ponte, Cristo, foi colocada no alto, e por que possui três degraus: para ser mais facilmente percorrida.
O material da ponte
O pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim de que a chuva (da justiça divina) não retenha o caminhante. "Pedras" são as virtudes verdadeiras e reais. Antes da paixão de meu Filho, elas ainda não tinham sido assentadas, motivo pelo qual os antigos não atingiam o céu, mesmo que vivessem piedosamente. O Paraíso ainda não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuva da justiça divina impedia a caminhada. Quando aquelas pedras foram assentadas no corpo do meu Filho - por mim comparado a uma ponte - foram embebidas, amalgamadas e assentadas com sangue. Em outras palavras: o sangue (humano) foi misturado com a cal da divindade e fortemente queimado no calor da caridade. Tais pedras foram postas em Cristo por mim, mas é nele que toda virtude é comprovada e vivificada. Fora de Jesus ninguém possui a vida da graça. Ocorre estar nele, trilhar suas estradas, viver sua mensagem. Somente ele faz crescer as virtudes, somente ele as constrói como pedras vivas, cimentando-as com o próprio sangue. Nele, todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo da justiça divina, pois vão cobertos pela misericórdia, descida do céu no dia da encarnação. Foi a chave do sangue de Cristo que abriu o céu.
Portanto, esta ponte é ladrilhada, seu telhado é a misericórdia. Possui também uma despensa, constituída pela hierarquia da santa Igreja, que conserva e distribui o Pão da vida e o Sangue. Assim, minhas criaturas, viandantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem. Para isto ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do meu Filho, Homem-Deus.
Os dois caminhos
Para atravessar a ponte, chega-se a uma porta, que é o próprio Cristo; por ela todos os homens devem passar. Disse Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; quem vai por mim não caminha nas trevas, mas na luz" (Jo 8,12); e em outra passagem afirma que ninguém oide chegar a mim a não ser por meio dele (Jo 14,6). Se ainda bem recordas, foi o que te disse uma vez e fiz ver. Se Jesus diz que ele é o caminho, profere uma verdade. Eu o mostrei a ti na figura de uma ponte; sua afirmação é verdadeira; ele está unido a mim, suma Verdade. Quem o segue caminha na Verdade. Ele é também a Vida; seus seguidores possuem a vida da graça, não padecem fome; ele é o alimento. Nem vivem na escuridão; Jesus é a Luz. Em Cristo não existe mentira. Pela verdade ele confundiu e destruiu a mentira do demônio, enganador de Eva. Aquela mentira destruíra a estrada (do céu); Jesus a reconstruiu no seu sangue. Quem vai por tal caminho é filho da Verdade, atravessa a ponte e chega até mim, Verdade eterna, oceano de paz.
Quem não trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado. É uma estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém vai sem se afundar. É o caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro. Tais pessoas são como a água, sempre a escorrer. À semelhança daquelas realidades, vão passando. Eles acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade, também eles caminham continuamente em direção à morte. Bem que gostariam de deter-se, reter na vida, segurar as coisas que amam. Seriam felizes se as coisas não passassem. Perdem-nas todavia, seja por causa da morte, seja pelos acontecimentos com que faço escapar-lhes das mãos os bens deste mundo. Tais pessoas vão pela mentira, por suas estradas; são filhos do demônio, pai da mentira. Entram por essa porta e vão para a condenação eterna.
Mostrei-te, assim, o meu caminho, o da Verdade, e o caminho do demônio, que é o da mentira. São duas estradas. Ambas exigem fadiga. Vê como é enorme a maldade, a cegueira humana. Sendo-lhe preparada a ponte, o homem prefere ir pela correnteza.
A estrada da ponte é muito agradável aos caminhantes. Toda amargura se torna doce; todo peso, leve. Embora na obscuridade dos sentidos, vão na luz; embora mortais, já possuem a vida sem fim. Pelo amor e pela fé, saboreiam meu Filho, Verdade eterna, que prometeu o prêmio para os que por mim se afadigam. Sou grato, reconhecido e justo; pagarei com eqüidade, segundo o merecimento. Toda ação boa será remunerada, assim como toda culpa será punida. Tua linguagem é insuficiente a descrever o gozo concedido a quem segue este caminho; nem teus ouvidos seriam aptos a escutar e os olhos a ver. Experimentam-se neste caminho coisas reservadas para a outra vida!
Como é louco aquele que despreza tão grandes bens, indo pelo rio, embaixo; prefere alimentar-se, já nesta vida, com aperitivos do inferno. Segue por entre muitos sofrimentos, sem satisfações, na carência de todo bem. Tudo isso, porque se privou de mim, sumo e eterno Bem, pelo pecado. Tens razão em lamentar-te! Quero que outros servidores sintam contínua tristeza porque sou ofendido; que sintam compaixão diante da maldade e ruína dos pecadores.
Tens desse modo a descrição da ponte. Disse todas essas coisas, para revelar-te que meu Filho unigênito é uma ponte, conforme afirmara antes. Agora sabes como de fato ele une as alturas com a pequenez!
Diálogos de Sta Catarina de Sena, Doutora da Igreja

O VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL

   



O VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL

Segundo os exemplos dos Santos.

A Comunhão Espiritual é a reserva de vida e de Amor Eucarístico sempre ao alcance da mão para os enamorados de Jesus Hóstia. Por meio da Comunhão Espiritual, de fato, ficam satisfeitos os desejos de amor da alma que quer unir-se a Jesus seu Amado Esposo. A Comunhão Espiritual é união de amor entre a alma e Jesus Hóstia. União toda Espiritual, mas real, até mais real do que a própria união em nós da alma com o corpo, “porque a alma vive mais onde ama, do que onde vive”, diz São João da Cruz.

Fé, amor, desejo.

A Comunhão Espiritual supõe, é evidente, a fé na Presença Real de Jesus nos Sacrários. Ela compreende o desejo da Comunhão Sacramental e exige a Ação de Graças pelo Dom recebido de Jesus. Tudo isso está expresso com simplicidade na fórmula de Santo Afonso de Ligório: “Meu Jesus, eu creio que vós estais no Santíssimo Sacramento. Eu vos amo sobre todas as coisas. Eu vos desejo em minha alma. E, já que agora não posso receber-Vos Sacramentalmente, vinde pelo menos espiritualmente ao meu coração. (pausa) Como já tendo vindo, eu Vos abraço e me uno a Vós. Não permitais que eu me separe mais de vós.”.

A Comunhão Espiritual produz os mesmos efeitos que a Comunhão Sacramental, conforme as disposições de quem a faz, conforme maior ou menor carga de afeto com que se deseja receber a Jesus e o amor mais ou menos intenso com que se recebe Jesus e com que nos entretemos com Ele.

Privilégio exclusivo da Comunhão Espiritual é o de poder ser feita quantas vezes quisermos (e até mesmo centenas de vezes por dia), quando quisermos (mesmo em plena noite), onde quisermos (até num deserto... ou num avião em pleno vôo). É conveniente fazer a Comunhão espiritualmente quando se assiste a Santa Missa e não se pode fazer a Comunhão Sacramental no momento em que o sacerdote comunga.

A alma comunga também, chamando a Jesus em seu coração. Desse modo, toda Missa que se tiver ouvido estará completa: Oferta, Imolação e Comunhão. Seria deveras uma Graça Suprema, a ser invocada com todas as forças, se na Igreja se chegasse a realizar logo aquele voto do Concílio de Trento, “que todos os cristãos comunguem em todas as Missas que ouvem”: desse modo, quem puder participar de mais Missas cada dia, poderá também fazer comunhões Sacramentais cada dia.

Os dois Cálices

Quão preciosa seja a Comunhão Espiritual, Jesus o disse a Santa Catarina de Sena em uma visão. A Santa temia que a Comunhão Espiritual não tivesse nenhum valor, se comparada com a Comunhão Sacramental. Jesus lhe apareceu em visão, com dois Cálices na mão, e lhe disse: “Neste Cálice de ouro ponho as tuas Comunhões Sacramentais e neste Cálice de prata ponho as tuas Comunhões Espirituais. Estes dois Cálices Me são muito agradáveis.”  

E à Santa Margarida Maria Alacoque, que com muita diligência costumava enviar os seus inflamados desejos, clamando por Jesus no Sacrário, uma vez Jesus disse: “Para Mim é de tal modo querido o desejo que uma alma tem de Me receber, que Eu Me precipito nela, cada vez que ela Me chama com os seus desejos.”

Quanto tenha sido amada pelos Santos a Comunhão Espiritual, não nos é difícil entrever. A Comunhão Espiritual satisfaz, pelo menos em parte, àquela ânsia ardente de ser sempre: “um” com quem ama. O próprio Jesus disse:“Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós”(Jo. 15,4).

E a Comunhão Espiritual ajuda-nos a ficarmos unidos a Jesus, ainda que estejamos longe de Sua Morada. Outro meio não há para aplacar os anelos de amor que consomem os corações dos Santos. “Como a corça anela pelos cursos da águas, assim minha alma anela por ti, ó Deus”(Sl. 41,2). E assim é o gemido dos Santos: “Ó meu esposo querido – exclama a Santa Catarina de Gênova – eu desejo de tal modo a alegria de estar contigo, que me parece, que se eu estivesse morta, ressuscitaria para receber-Te na Comunhão.”

E a Beata Ágata da Cruz sentia tão agudo o desejo de viver sempre unida a Jesus Eucarístico, que chegou a dizer: “Se o Confessor não me tivesse ensinado a fazer a Comunhão Espiritual, eu não teria podido viver.”

Para Santa Maria Francisca das Cinco Chagas era, igualmente, a Comunhão Espiritual o único alívio para a dor aguda que sentia, quando ficava fechada em casa, longe do seu Amor, especialmente quando não lhe era permitido fazer a Comunhão Sacramental. Então, ela subia ao terraço da casa e, olhando para a Igreja, suspirava entre lágrimas: “Felizes aqueles que hoje Te puderam receber no Sacramento, ó Jesus! Felizes os Sacerdotes que estão sempre perto do Amabilíssimo Jesus!” E assim só a Comunhão Espiritual podia tranqüilizá-la um pouco. 

Durante o dia

Eis aqui um dos conselhos que o beato Pe. Pio de Pietrelcina dava a uma sua filha espiritual: “Durante o dia, quando não podes fazer alguma outra coisa, chama por Jesus, mesmo até no meio de todas as outras ocupações, com um gemido resignado da alma, e Ele virá e ficará sempre unido com tua alma por meio de sua Graça e do Seu Santo Amor. Voa com o teu espírito para diante do Sacrário, quando lá não podes ir com teu corpo, e lá desafoga os teus ardentes desejos e abraça o Amado das Almas, melhor ainda do que se tivesses podido recebê-Lo sacramentalmente!”

Aproveitemos, nós também, deste grande Dom. Especialmente nos momentos de provação ou de abandono, que pode haver de mais precioso do que a união com Jesus Hóstia, por meio da Comunhão Espiritual? Este Santo exercício pode encher os nossos dias de amor e de encanto, pode fazer-nos viver com Jesus em um amplexo de amor, e só depende de nós que o renovemos freqüentemente e que não interrompamos quase nunca.

Santa Ângela Merici tinha uma especial predileção pela Comunhão Espiritual. Não somente a fazia muitas vezes e exortava os outros a fazê-la, mas chegou a deixá-la como “herança” às suas filhas, a fim de que a praticassem sempre.

A vida de São Francisco de Sales não deve ter sido talvez toda ela uma corrente de Comunhões Espirituais? Era propósito de o Santo fazer uma Comunhão Espiritual pelo menos cada quarto de hora. Este mesmo propósito foi o que tinha tomado São Maximiliano Maria Kolbe, desde jovem.

E o servo de Deus André Beltrami deixou-nos uma breve página de seu diário íntimo que é um pequeno programa de uma vida vivida em uma Comunhão Espiritual contínua com Jesus Eucarístico. Estas são as suas palavras:“Onde quer que eu me ache, pensarei amiúde em Jesus Sacramento. Fixarei meu pensamento no Santo Sacrário, até mesmo quando eu acordar de noite, adorando-O de onde eu estiver, chamando por Jesus no Sacramento, oferecendo-Lhe o trabalho que eu estiver fazendo. Vou instalar um fio telegráfico da sala de estudo até a Igreja, um outro a partir do meu quarto e um terceiro do refeitório. Depois, vou enviar despachos, no maior número possível, a Jesus no Sacramento.” Que contínua corrente de amor Divino não deve ter passado por aqueles queridos... fios telegráficos!

Até durante a noite

Destas e de outras semelhantes santas indústrias os Santos têm sido muito prontos a servir-se para desabafarem seus corações que nunca se saciavam de amar. “Quanto mais eu Te amo, parece-me que menos Te amo – exclama Santa Francisca Xavier Cabrini – porque eu quereria mais. Mas não posso mais... dilata, dilata o meu coração...”

Nos períodos em que não acordava de noite, Santa Bernadette chegou a pedir a uma sua coirmã que a despertasse. E para quê? “Porque eu gostaria de fazer a Comunhão Espiritual!”

Quando São Roque de Montpellier passou cinco anos encarcerado, por ter sido considerado um vagabundo perigoso, no cárcere ficava sempre com os olhos fitos na janelinha, rezando. O carcereiro lhe perguntou: Que é que ficas daí olhando? “Fico olhando para a torre dos sinos da Paróquia.” Era a necessidade que o Santo sentia de uma Igreja, de um Sacrário, de Jesus Eucarístico, seu grande amor.

Também o Santo Cura d’Ars dizia aos fiéis: “À vista de um campanário, podeis dizer: Lá está Jesus, porque lá um Sacerdote celebrou a Missa.”

E o Beato Luiz Guanella, quando ia de trem acompanhar os peregrinos até os Santuários, recomendava sempre a eles que volvessem seus pensamentos e corações para Jesus cada vez que, das janelas do trem, vissem algum campanário. “Cada campanário – dizia ele – nos faz pensar numa Igreja, na qual existe um Sacrário, na qual se celebra a Missa e onde está Jesus.” Aprendamos com os Santos, nós também. Que eles queiram comunicar-mos um pouco do incêndio de amor que consumia os seus corações.

E, então, também em nós bem cedo se levantará um incêndio de amor, pois é muito consolador o que nos assegura São Leonardo de Porto Maurício: “Se praticardes muitas vezes por dia o Santo Exercício da Comunhão Espiritual, eu vos dou um mês de tempo para terdes o vosso coração completamente mudado.” Só um mês: Vocês entenderam?



Da vocação Religiosa - Santo Afonso Maria de Ligório





Santo Afonso Maria de Ligório (27/09/1696 - 02/08/1787)
Doutor Zelosíssimo da Igreja


Da vocação Religiosa


« Levá-lo-ei ao deserto
e lhe falarei ao coração »
(Os 2,14)


Quanto importa seguir a vocação para a vida religiosa

“Na antiga Lei, os israelitas eram o povo eleito e querido de Deus, em oposição aos egípcios; e na Lei nova o mesmo se dá com os religiosos em relação aos seculares. Como os israelitas saíram do Egito, terra de trabalhos e escravidão, onde Deus não era conhecido; assim os religiosos saem do mundo, que paga seus servidores com amarguras e enfados, e onde Deus é pouco conhecido; assim os religiosos saem do mundo, que paga seus servidores com amarguras e enfados, e onde Deus é pouco conhecido. Assim como os israelitas, no deserto, foram guiados à terra da promissão por uma coluna de fogo, assim também os religiosos são conduzidos pela luz do Espírito Santo no caminho de sua vocação ao estado religioso, que muito se assemelha à terra prometida.

Notemos que o estado religioso é semelhante não só à terra prometida, que figurava o céu, mas ainda ao mesmo céu. Com efeito, no céu não há desejos das riquezas terrenas, nem dos prazeres dos sentidos, nem da própria vontade; e no estado religioso, os votos de pobreza, castidade e obediência fecham a porta a essas cobiças perniciosas.

No céu não há outra ocupação que louvar a Deus; e o mesmo se dá no estado religioso, onde tudo que se faz se refere ao louvor de Deus. No Céu, enfim, goza-se de uma paz contínua, porque os bem-aventurados encontram em Deus todos os bens; e no estado religioso, onde não se busca senão a Deus, encontra-se aquela paz que excede todas as delícias e satisfações que o mundo pode oferecer.

Depois do batismo, a vocação ao estado religioso é a maior graça que Deus pode fazer a uma criatura, razão por que se deve estimar o estado religioso mais que todas as grandezas e todos os reinos do mundo.

É verdade indiscutível que a nossa eterna salvação do estado. O Padre Granada chamava à eleição do estado a roda mestra da vida. Assim como nos relógios descentrada a roda mestra, anda mal todo o relógio; assim também no negócio da salvação.

Na eleição do estado, se queremos assegurar a salvação eterna, é mister que sigamos a vocação divina, pois só assim nos concede Deus o auxílio necessário para alcançar a bem-aventurança.

E esta asserção é corroborada por São Cipriano de Cartago que afirma: « A virtude do Espírito Santo não é dada segundo o nosso arbítrio, mas segundo a sua vontade ». Por isso diz São Paulo: “Cada um recebe de Deus o próprio dom” (I Cor 7,7). E isto quer dizer, como explica Cornélio a Lápide, que Deus talha a cada um a sua vocação e lhe assinala o estado em que o quer salvar.

Esta doutrina conforma-se perfeitamente com a ordem da predestinação descrita pelo mesmo Apóstolo: “E aos que predestinou, a esses também justificou” (Rm 8,30). Forçoso é admitir que o problema da vocação no mundo é pouco compreendido por alguns; parece-lhes que é o mesmo viver no estado por inclinação própria. É por esse motivo que tantos levam vida desordena e se condenam. É, porém, matéria que não sofre discussão: a eleição do estado é o ponto cardeal para a conquista da vida eterna. A vocação sucede a justificação, à justificação a glorificação, isto é a vida eterna. Quem altera esta ordem e desfaz esta cadeia, não se salvará! No meio de todas as fadigas e trabalhos a que se sujeitar, ouvirá sempre a voz de Santo Agostinho a lhe dizer: “Corres bem, mas fora do caminho”; quer dizer, não vai pelo caminho por onde Deus queria que fosses para alcançares a salvação.

O Senhor não aceita os sacrifícios que lhe são oferecidos segundo a vontade própria. Mas a Caim e seu presente não viu com bons olhos (Gn 4,5). Mais ainda: O Senhor comina severos castigos aqueles que voltam as costas aos seus chamamentos para seguirem os conselhos da própria inclinação.
Ai dos filhos rebeldes! Declara o Senhor. “Querem realizar um desígnio mas não o meu” (Is 30,1)

É que o chamamento a um estado de vida mais perfeito é graça especial e muito grande que Deus não faz a todas as almas; razão tem, pois, de se indignar contra quem o despreza. Não se sentiria ofendido um príncipe que, convidando um vassalo a servi-lo de mais perto, a ser seu privado, recebesse dele uma recusa? E Deus não se ressentirá? Ressente, sim, e ameaça, como se lê em Isaías (Is 45,9): “Ai daquele que litiga com o Criador”. A palavra Ai significa na Escritura perdição eterna. Começará já nesta vida o castigo do desobediente; viverá sempre inquieto, como diz Jó: “Quem se lhe opôs que se saísse ileso?” (Jo 9,4).

Ver-se-á, além disso, privado do auxílio abundante e eficaz para viver bem.

São do mesmo parecer São Bernardo, São Leão Magno e São Gregório Magno, escrevendo ao imperador Maurício, que por édito proibira que os soldados entrassem em religião, lhe disse desassombradamente que praticava uma injustiça, pois a muitos fechava as portas do paraíso, os quais no estado religioso se salvariam e ficando no século se perderiam.

É célebre o caso narrado pelo Padre Lancício. No colégio romano estava fazendo os exercícios espirituais um jovem de grande talento. Uma das perguntas que fez ao seu confessor foi se era pecado não corresponder à vocação religiosa. Respondeu-lhe o confessor que em si não era pecado grave, porque se tratava de um conselho e não de um preceito; mas que era por em grande perigo a salvação eterna, como acontecera a tantos que, por não ouvirem o chamamento de Deus, se condenaram. Assim o fez este jovem. Foi continuar seus estudos em Macerata, onde dentro em pouco, começou a deixar a oração e a comunhão, acabando por se entregar à vida desregrada. Não tardou muito que, ao sair da casa de uma mulher sem vergonha, fosse ferido de morte por um rival. Acorreram alguns sacerdotes, mas ele morreu, mesmo diante do colégio, antes que eles chegassem. Com essa circunstância quis Deus dar a conhecer que o castigo lhe adviera precisamente por ele ter desprezado sua vocação.

É notável também a visão que teve um noviço, ao qual como refere o Padre Pinamonti no tratado sobre A Vocação Triunfante – quando meditava sair da religião, Jesus Cristo se lhe mostrou indignado no seu trono e mando riscar o seu nome do livro da vida...

Ele, aterrado, resolveu permanecer na religião. E quantos outros exemplos semelhantes andam narrados nos livros? E quantos míseros jovens não veremos nós condenados no dia do Juízo, por não terem obedecido à sua vocação?
A estes tais, como a rebeldes às luzes divinas, segundo diz o Espírito Santo: “Eles formam parte dos rebeldes à luz, não conheceram os caminhos” (Jo 24,13), é justamente infligido o castigo de perderem a luz. Porque não quiseram caminhar pelo caminho que o Senhor lhes tinha marcado, e meteram pelo que lhes apontava a sua inclinação sem as luzes do Espírito Santo, perderam-se. Eu vos comunicarei o meu Espírito, isto é, a vocação, mas porque faltaram a ela, acrescenta Deus: Mas visto que vos chamei, e vós não quisestes ouvir-me, visto que estendi a minha mão e ninguém presta atenção; e tendes desprezado todos os meus conselhos e não quisestes a minha admoestação; também eu rirei do vosso infortúnio e zombarei quando sobrevier o espanto (Pr 1,23-26). Isto quer dizer que Deus não ouvirá a voz de quem desprezou a sua. Afirma Santo Agostinho: “Os que desprezaram a vontade de Deus que os convidava sentem a vontade de Deus que se vinga”.

Portanto, quando Deus chama ao estado mas perfeito, quem não quiser pôr em grande perigo a salvação eterna, tem que obedecer e sem demora. De outro modo, ouvirá de Jesus Cristo as reprovações e censuras que ouviu o jovem que, ao ser convidado a segui-Lo disse: “Seguir-te-ei Senhor; mas primeiro permite-me ir-me despedir dos de minha casa”. E Jesus respondeu-lhe que não estava talhado para o paraíso: “Ninguém que pôs a sua mão ao arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc 9,62). As luzes de Deus são passageiras e não permanentes; donde veio a dizer São Tomás de Aquino que o chamamento divino para vida mais perfeita deve ser correspondido o mais depressa possível. Debate ele na sua Suma Teológica a questão se se deve entrar em religião sem ouvir o parecer de muitos e sem longa deliberação. E responde dizendo que o conselho e a deliberação são necessários nas coisas duvidosas, mas nesta não que é de certo boa, visto que a aconselhou o próprio Jesus no Evangelho; a vida religiosa é o compêndio dos conselhos de Jesus Cristo.

Caso bem estranho! A gente do mundo quando se trata de alguém que deseja entrar em religião para levar vida mais perfeita e mais segura nos perigos de se perder, dizem que tais resoluções necessitam muito tempo de deliberação antes de se porém em prática, para se certificar se a vocação vem de Deus e não do demônio. Mas já não falam assim, quando se trata de aceitar uma magistratura, um bispado, por exemplo, onde se correm tantos perigos de se perder. Então já não dizem que são precisas muitas precauções para se certificar se aquela é a verdadeira vocação de Deus. Não é esta a linguagem dos santos. São Tomás de Aquino diz que, ainda que a vocação religiosa viesse do demônio, deve abraçar-se como se abraça um bom conselho, mesmo que venha de um inimigo. E São João Crisóstomo, citado pelo mesmo Santo Doutor, afirma que Jesus Cristo quando chama, quer tal obediência de nós, que não demoremos um só instante em segui-Lo (Hom. 14 in Math).

E porque? Porque Deus, quanto mais se compraz em ver a prontidão com que é obedecido, tanto mais abre as mãos e enche de bênçãos a quem assim procede. Pelo contrário, quanto maior for a demora em acudir ao Seu chamamento, menor será a sua generosidade e mais se afastará com as suas luzes. De modo que o chamado dificilmente seguirá a sua vocação e facilmente a abandonará.

Tudo isto levou São João Crisóstomo a dizer que o demônio quando não consegue dissuadir alguém da resolução de se consagrar a Deus, procura ao menos fazer com que ele difira a execução e tem por grande ganho, quando obtêm a dilação de um dia, de uma hora, se alcança ao menos um breve adiamento (Hom. 56, ad pop. Ant.) É que depois de um dia, depois de uma hora, mudando as ocasiões, confia que lhe será menos difícil lograr mais tempo, confia que a alma enfraquecida e menos ajudada da graça ceda de todo e abandone a vocação.

Com estes adiamentos, a quantas almas chamadas por Deus não logrou o inimigo fazer perder a sua vocação! Por esse motivo aconselha São Jerônimo a quem é chamado a abandonar o mundo, nestes termos: “Apressai-vos, suplico-vos, e, em lugar de desatar as amarras que vos prendem ao fundo da barca, cortai-as” (Ad Paul.).

Quer o Santo dizer que, assim como quem se encontrasse preso num barco que estivesse a submergir-se trataria de cortar as amarras e não de as desatar; assim também, quem está no meio do mundo, deve procurar cortar o mais depressa possível os laços que a ele o prendem e unem, para fugir quanto antes do perigo de perder-se, que lá é tão fácil.

Vejamos o que escreve São Francisco de Sales nas suas obras acerca das vocações religiosas, porque tudo ajudará a corroborar o que levamos já dito e o que adiante acrescentaremos.

Para ter sinal seguro da verdadeira vocação, não é mister constância a firmeza que seja sensível, basta que essa constância e firmeza existam na parte superior do espírito; donde não se há de julgar como não verdadeira vocação se, quem foi chamado, antes de se desligar do mundo, deixou de experimentar aqueles afetos e consolações que experimentava ao princípio, chagando até a ver-se invadido de tal repugnância e arrefecimento, que o fazem às vezes vacilar e crer que tudo está perdido. Basta que a vontade fique firme e não abandonar o chamamento divino. Não é preciso mais do que a permanência certa da afeição à vocação religiosa.

Para saber se Deus quer que uma alma abrace a vida religiosa, não é preciso esperar que Ele próprio lhe fale ou mande do Céu um anjo anunciar-lhe a sua vontade. Nem, muito menos, é necessário que se submeta a um exame de dez doutores, para decidir se a vocação é para ser seguida ou não; o que importa é corresponder e cultivar o primeiro movimento de inspiração divina e não desanimar-se e aborrecer-se, se sobrevierem desgostos e arrefecimentos; procedendo assim, Deus se encarregará de que redunde tudo para Sua maior glória.

Não há porque preocupar-se como de onde parte a inspiração: O Senhor tem muitos meios de chamar os Seus servos. Umas vezes, serve-se de um sermão, outras da leitura de bons livros. A alguns chama-os quando ouvem a palavra do Evangelho, como vez a Santo Agostinho e a São Francisco de Assis.

Para com outros, serve-se das aflições e trabalhos que lhes traz o mundo, dando-lhes assim motivo para o deixarem. Ainda que venham para a vida religiosa desavindos com o mundo, nem por isso deixam de se entregar a Deus com franca devoção e vontade, e muitas vezes sucede que atingem mais alto grau de santidade que aqueles que vieram por vocação mais manifestada.

Conta o padre Pratti que um gentil homem montava um dia um belo e fogoso cavalo e procurava dar provas de bom cavaleiro, para agradar à dama a quem cortejava. Ora, sucedeu que numa dessas proezas de cavalaria foi cuspido do cavalo abaixo, caiu no lodo e levantou-se todo sujo e enlameado. Foi tal a sua confusão e vergonha, que naquele mesmo instante resolveu entrar na vida religiosa « ó mundo traidor, - disse ele de si para consigo, - tu fizeste pouco de mim, também eu vou fazer pouco de ti; fizeste-me uma partida, farte-ei outra; não voltarei a fazer as pazes contigo. Vou-te abandonar imediatamente e fazer-me religioso ». De fato entrou em religião e nela vive santamente.

Meios para conservar a Vocação

De modo que quem deseja obedecer à vocação divina, é preciso não só que se resolva a segui-la, mas também a segui-la sem demora e quanto antes para se não expor a perdê-la.

Supondo, porém, que circunstâncias especiais o obriguem a esperar, deve conservá-la com toda a diligência como a jóia mais preciosa que tivesse.

São três os meios para conservar a vocação:
Segrego, oração e recolhimento.

1º - Do Segredo

Antes de mais nada e de modo geral, é necessário guardar segredo para com todos a respeito da vocação, menos com o padre espiritual, visto que, ordinariamente, as pessoas do século não tem escrúpulo nem se coíbem de dizer aos pobres jovens, chamados ao estado religioso, que em toda parte, até no mundo se pode servir a Deus. O que é mais para estranhar é que semelhantes asserções saiam às vezes da boca de sacerdotes, e até de religiosos que, ou entraram em religião sem vocação ou não sabem o significado dessa palavra. É bem verdade que em todo lugar pode servir a Deus quem não é chamado para a vida religiosa; mas quem o é e quer ficar no mundo por seu capricho, dificilmente, como foi demonstrado acima, levará vida regrada e servirá a Deus.

De modo especial, é mister ocultar a vocação aos parentes. Já Lutero era de opinião, como refere Belarmino (Contr. 2 Tom. de manarch, cap. 36, nº 1), que os filhos pecavam entrando em religião sem consentimento de seus progenitores. Dava como fundamento que os filhos são obrigados a obedecer-lhes em tudo. Tal opinião tem sido comumente refutada pelos concílios e pelos Santos Padres.

O décimo Concílio de Toledo no último capítulo diz expressamente que é permitido aos filhos entrarem em religião, desde que tenham ultrapassado os anos da puberdade: "Aos pais será permitido negar aos seus filhos a licença para entrarem em religião até aos 14 anos de idade. Passados os 14 anos, poderão os filhos abraçar licitamente o estado religioso, quer por vontade de seus pais, quer por eleição espontânea".

O mesmo se prescreve no Concílio Tibutirno (can. 24). Esta é a doutrina de Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e São Bernardo. É assim que diz São Tomás e outros, servindo-se das palavras de São João Crisóstomo: "Quando os pais impedem o bem espiritual nem sequer se devem consultar" (Hom 84 - in Joan).

Não deixa de haver quem opine que, no caso de um filho chamado por Deus para o estado religioso poder fácil e seguramente obter o consentimento dos seus progenitores, sem correr o perigo de que eles lhe impeça a vocação, seria de aconselhar pedir-lhes a benção. Esta doutrina especulativamente sustentável, na prática acarreta ordinariamente perigos. É ponto que precisa de ser muito bem aclarado para tirar a alguns certos escrúpulos farisaicos. É doutrina assente que na eleição de estado os filhos não são obrigados a obedecer aos pais.

Assim o ensina comumente os doutores como São Tomás nos termos seguintes: Quando se trata de contrair matrimônio ou de guardar castidade ou de matéria semelhante, nem os criados são obrigados a obedecer aos amos, nem os filhos a seus pais.

No que toca ao estado conjugal, o padre Pinamonti no seu tratado sobre A Vocação Religiosa, é do parecer de Sanchez, de koning e de outros teólogos, os quais defendem que o filho é obrigado a pedir conselho a seus pais, pois que nesta matéria eles, sendo mais idosos, tem maiores experiências do que os jovens, e, em assuntos destas natureza, não se esquecem de que são pais.

Mas na questão da vocação religiosa, ajunta avisadamente o mencionado padre Pinamonti, que o filho não é de modo nenhum obrigado a tomar o conselho de seus pais, porque, neste assunto, eles não tem nenhuma experiência, e, por mal entendido interesse, se convertem comumente em inimigos. Como adverte ainda São Tomás ao falar expressadamente da vocação: Muitas vezes aos amigos segundo a carne opõe-se ao nosso proveito espiritual. (2. 2 qu.189 art. 10). Mas querem os pais que os filhos se condenem junto deles do que se salvem, tendo que os deixar seguir o chamamento de Deus. Este procedimento arrancou a São Bernardo a severa exclamação: Oh pai cruel e mãe desnaturada, cuja consolação é a morte do filho, que preferem que morra com eles a que reine sem eles. (Epist. III)

Deus, diz um grande autor, quando chama uma alma para a vida perfeita, quer que ela se esqueça de seu pai, e assim lho faz sentir: ouve, filha, olha; aplica o teu ouvido; esquece do teu povo e a casa paterna (Ps. 44,II). Com esta exortação, ajunta o citado autor, nos adverte portanto, o Senhor e no seguir da vocação religiosa, não tem que intervir o conselho dos pais. Aqui deixo as suas palavras textuais: Se Deus quer que uma alma que Ele chama para si esqueça os pais e a casa paterna, dá a entender com isso que essa alma, chamada por Ele para a religião, não deve fazer entrar o conselho de seus amigos carnais e parentes na execução de tal vocação. (In S.Th. 9,189).

São Cirilo, ao explicar a advertência de Jesus Cristo ao jovem do Evangelho: Ninguém que meteu a mão ao arado e olha para trás está talhado para o reino do Céu (Lc 9,62), afirma que quem está à espera de tempo para cuvir o parecer de seus parentes acerca da sua vocação, esse é precisamente aquele que Senhor declara inapto para o Céu: Olha para trás quem procura dilação para ter oportunidade de consultar os parentes. Nisto se funda São Tomás quando adverte aos chamados para a vida religiosa que se precavenham de se aconselharem com os seus parentes sobre a vocação. Dá consulta esse assunto, em primeiro lugar, se deve afastar os parentes.

Aconselha-se que se discutam os nossos interesses com os amigos. Ora, os parentes, neste caso, não são amigos, mas antes inimigos segundo a asserção do Senhor: Os inimigos do homem são os parentes.

Se para seguir a vocação seria grande perigo pedir conselho aos pais, esse perigo subiria de ponto se se espera-se obter a sua licença quando se tentasse alcançá-la, porque tal diligência não poderá fazer-se sem correr o risco de perder a vocação, no caso de se prever que eles se empenhem em pedi-la.

E a verdade é que os Santos quando foram chamados a deixar o mundo, partiram de suas casas sem o comunicar aos seus pais. Assim o fizeram São Tomás de Aquino, São Francisco Xavier, São Felipe Neri, São Luis Beltrão. E sabemos que o Senhor aprovou estas fugas gloriosas.

São Pedro de Alcântara, fugiu a sua mãe, debaixo cuja obediência ficara depois da morte de seu pai, para entrar num mosteiro. Tendo que atravessar um rio encomendou-se a Deus e de repente viu-se transportado para outra margem.

De igual modo Santo Estanislau Kostka, tendo fugido de casa paterna, o irmão partiu de carroça em sua perseguição. Quando estava próximo a alcançá-lo, os cavalos estacaram e, por mais que o chicotassem, não conseguiram que eles dessem um passo em frente. Voltados que foram em direção à cidade, partiram à desfilada.

A beata Orinja de Valdarno na Toscana, prometida por seu pai como esposa a um jovem, fugiu também da casa de seus pais. No seu caminho teve de atravessar o rio Arno. Chegada que foi diante dele, fez uma breve oração; viu separarem-se as água diante dela, formarem-se como dois muros de Cristal, entre os quais pode passar a pé enxuto.

Por conseguinte, irmão caríssimo, se Deus nos convida a deixar o mundo, tende muito cuidado de não dar a conhecer a vossa resolução a vossos pais. Contentai-vos com ser abençoados por Deus e procurai pô-la em execução, o mais previamente que puderes, sem que eles, o saiba, se não o quereis expor-vos ao perigo de perder a vossa vocação.

Como já salientamos, ordinariamente, os parentes, e até mesmos os pais contraíram a execução do chamamento para a vida religiosa. Chega a suceder, que pais, aliás tementes a Deus e piedosos, se deixam cegar pelo interesse e a paixão a ponto de não terem escrúpulo de impedir, sob vários pretextos e por todos os meios, a vocação dos filhos.

Lê-se na vida do padre Paulo Segneri Junior e sua mãe, senhora de muita oração, não deixou pedra por mover para obstar à vocação religiosa de seu filho.

O mesmo fato se refere na vida de Monsenhor Cavalieri, bispo de Tróia, cujo pai, ainda que senhor de muita piedade, tentou por todos os modos impedir que seu filho entrasse (como de fato entrou) na Congregação dos pios operários, indo ao ponto de instaurar um processo no Tribunal Eclesiástico.

E quantos outros pais e mães, apesar de serem pessoas devotas e de oração ao tratar-se da vocação de seus filhos se transformam como se tivessem possessas do demônio!

É que o inferno para nenhuma outra se arma de ponto em branco, como para impedir a entrada na vida religiosa aqueles que para ela são chamados.

Por isso, repito, tende muito cuidado em não comunicar a vossa vocação aos amigos, os quais não terão escrúpulos, se não de vos aconselhar, ao menos de publicar, o segredo, de modo que os vossos facilmente chegaram aos conhecimento de vossos intentos.

2º- Da oração

Em segundo lugar, é preciso não esquecer que a vocação religiosa apenas por meio da oração se pode conservar.

Quem largar a oração, largará também certamente a vocação. É negócio que requer oração. Por isso, quem se sente chamado por Deus para a vida mais perfeita, nunca deixe de fazer uma hora de oração pela manhã, ou ao menos, meia hora em casa ou na igreja se em casa não puder ter o recolhimento preciso; e outra meia hora antes de se recolher. Não omita de modo nenhum a visita diária ao santíssimo Sacramento e a Maria Santíssima para obter a perseverança na vocação. Comungue três ou, ao menos, duas vezes por semana. O ponto na meditação seja quase sempre a vocação, considerando como fui grande a graça que Deus lhe fez chamando, quanto assegura mais a salvação eterna, se lhe obedecer com fidelidade; em que perigo se põe, pelo contrário, se lhes não obedece. Ponha muito especialmente diante dos olhos a hora da morte, e considera a alegria e a satisfação que então sentirá de ter ouvido a voz de Deus e a pena e remorsos que o hão de torturar, se acabar seus dias no século. Com este propósito ajuntaremos no fim algumas considerações sobre as quais se poderá fazer a oração mental.

Necessário é, por tanto, que todas as orações feitas a Jesus e a Maria, muito principalmente depois da comunhão e durante a visita ao Santíssimo, tenham por fim alcançar a santa perseverança. Quer na oração, quer na comunhão, renovai sempre a doação de vós mesmos a Deus, com essa fórmula: Eis me aqui, Senhor, já não sou meu, sou vosso. Já me entreguei a Vós, a Vós de novo me torno a entregar. Aceitai-me e dai-me força para Vos ser fiel e para me retirar quanto antes para a vossa santa casa.

3º- Do Recolhimento

Em terceiro lugar é necessário o recolhimento e este não se pode ter sem nos retirarmos do trato e divertimentos mundanos. Que é que nos pode enquanto estamos no século, fazer perder a vocação? Um nada. Bastará um dia de diversões: o embuste de um amigo, uma paixão mal dominada, uma afeição desordenada, um temor vão, uma tristeza não vencida. Tudo isto bastará, repito para fazer perder a resolução tomada de retirar-se do mundo e dar-se todo a Deus. Por isso, impõe-se a necessidade de um recolhimento total de um desprendimento de tudo o quanto seja o mundo.

Neste tempo outra não deve ser a vossa ocupação que a oração, a freqüência dos Sacramentos, a casa e a igreja. Quem assim não proceder e se entregar a passa tempos e diversões, tem que se convencer de que perderá a vocação. Ficará com remorsos de a não ter seguido, mas de certo a não seguirá. Quantos por desprezarem este conselho - de se entregar ao recolhimento - perderam a vocação e com ela a alma.
Fonte: A vocação Religiosa, Estimulo a um religioso para o avançar na perfeição de seu estado - por - Santificado Santo Afonso Maria de Ligório

AddThis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...